O número de pessoas que se autodeclaram pretas em Feira de Santana cresceu de forma significativa no Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em comparação com o levantamento de 2010. De acordo com os dados, 180.190 pessoas se identificaram como pretas, um aumento expressivo em relação às 128.440 registradas no censo anterior.

Apesar do crescimento, a maioria da população feirense continua se declarando parda: são cerca de 330,4 mil pessoas em 2022, contra 310,8 mil em 2010. Somando pretos e pardos, a população negra chega a aproximadamente 510 mil pessoas, dentro de um total de 616 mil habitantes. Isso representa cerca de 82,8% da população do município.
Por outro lado, houve redução no número de pessoas que se identificam como brancas, passando de 110,8 mil em 2010 para 103,9 mil no último censo. Também foi registrada queda entre os que se declararam amarelos, de 5,3 mil para apenas 590, além de uma leve diminuição na população indígena, que passou de 1.118 para 1.086 pessoas.
Especialistas apontam que a variação não está necessariamente ligada a fatores como natalidade, migração ou mortalidade, mas sim a um processo de maior reconhecimento identitário. Cada vez mais, pessoas que antes se declaravam pardas ou brancas têm passado a se reconhecer como pretas, refletindo mudanças sociais e o enfrentamento de barreiras históricas impostas pelo racismo estrutural.
Os dados também reforçam o perfil miscigenado de Feira de Santana, onde 53,5% da população se declara parda. A cidade, conhecida como “Princesa do Sertão”, é resultado de uma intensa mistura de povos e culturas ao longo de sua formação, marcada pelo fluxo constante de pessoas, mercadorias e serviços.
Os números do Censo 2022 ajudam a retratar de forma mais fiel a realidade da população feirense e representam um avanço importante no entendimento das dinâmicas sociais e raciais do município, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
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